A SALVAÇÃO SE PERDE?

QUANDO DEUS VOLTA ATRÁS…

         Há um assunto na Bíblia que constantemente ressoa na minha mente, que é a GRAÇA. E isso ocorre tanto mais quanto mais a mente “racionaliza”. É muito difícil uma pessoa pensar “livre” de seus paradigmas. Um evangélico tradicional, por exemplo, não consegue visualizar comunhão espiritual com um católico, ou vê-lo no Céu ao seu lado. Pelos nossos princípios fundamentalistas, eles não poderiam ter a salvação, que nós evangélicos tanto realçamos em nossas pregações e doutrinas. Por isso mesmo não se concebe um evangélico distanciado da doutrina da salvação. Em princípio todo evangélico é doutrinado para ter essa doutrina bem clarificada e lembrada em sua mente. Mas como uma ironia religiosa, tem freqüentemente ocorrido que evangélicos de nossos dias não sabem muito sobre essa doutrina , pois uma vez que a mensagem de salvação vai ficando “saturada” na sociedade, até mesmo os evangélicos vão buscando outras “novidades” teológicas. E isso é preocupante…
        O entendimento bíblico sobre a salvação pressupõe a compreensão da graça de Deus, o tão desejado dom, que vem nos trazer “favores não merecidos” da parte de Deus. Tão somente pelo crer (Ef.2:8,9).
         O profeta Ezequiel ilustra muito bem a diferença entre o ponto de vista de Deus e o nosso, sobre o merecimento humano (Ez.18:17). Dificilmente nós conseguimos nos desprender da idéia de que há “pessoas boas” e outros “perversos”. E até mesmo num esforço de antropomorfismo Deus usa para conosco os termos “justo” e “perverso”. Quando, por atos pecaminosos praticados o “perverso” receber uma sentença da parte de Deus (sempre de morte – Rm.6:23) e houver por parte dele uma “conversão”, Deus promete “voltar atrás”(Ez.18:14,15). O mesmo com relação a um “justo”, que se desvia (Ez.18:13). Deus afirma nesse caso que “voluntariamente” vai se “esquecer” de tudo que esse justo “já havia feito” . Nós questionamos então: “Isto é justo?”-e os nossos créditos de bondade acumulados?(v.17,20). Deus responde: “Quem julga sou Eu- vai ser assim” (Ez.18:20).
         O mesmo raciocínio de Deus se aplica no Novo Testamento, quando Jesus estabelece a necessidade de existirem frutos que caracterizem a graça, basicamente o perdão : Se nós não perdoarmos, também não seremos perdoados. Jesus estabelece como “preço” que temos que “pagar” pela graça que recebemos para a salvação exatamente o perdão “aos nossos devedores” (Mt.6:14,15). Este é o preço. O mais atordoante para nós evangélicos, entretanto, é a parábola do credor incompassivo (Mt.18:23-35). Nela Jesus mostra que DEUS VOLTA ATRÁS (v.34,35). A mesma mensagem Deus havia revelado ao profeta Ezequiel: Deus volta atrás… As condições são agora muito claras: 1) é para nós; 2) isso diz respeito ao perdão para salvação e 3) todos os crentes estão sujeitos a essa possibilidade. Pense numa pessoa que já está há 20 anos convertida e membro de igreja. Se após todo esse tempo ela não perdoar alguém que a ofende, Deus vai voltar atrás e cobrar TUDO que Ele já tinha perdoado a esse crente. Que pode ser você!
          Ou será que não é isso que DEUS falou ao profeta Ezequiel e que JESUS falou para nós?
        Não será mais “seguro” para nós o nos apegarmos à doutrina: “UMA VEZ SALVO, PARA SEMPRE SALVO”?, ao invés de ficarmos pensando que Deus pode voltar atrás em tudo que Ele já nos perdoou?
       A diferença nessa escolha se manifesta claramente em nossa atitude do dia-a-dia: ou soberba moralista ou humildade perdoadora?

 

 

Pr. Érico Rodolpho Bussinger – Comunidade Ramá Niterói

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